sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

"O cheiro dos velhos tempos

Quando eu era criança tinha o olfato apurado e o nariz de perdigueiro... Por isso mesmo, as pessoas, lugares e até coisas se relacionavam a algum cheiro.

O Rio de Janeiro, por exemplo, tinha cheiro de cuspe. A Praia do Canto era pura maresia, os livros na estante do escritório de meu pai cheiravam a naftalina, a Fazenda Nova Grécia, onde passávamos as férias, a café. O Sacré-Couer recendia a desinfetante, mas o Carmo cheirava à goma dos chapéus das Irmãs de Caridade. O quintal de Dindinha tinha cheiro de goiaba madura, e da minha rua vinha sempre o aroma inesquecível da terra e das plantas molhadas pela chuva...

As sábados íamos ao açougue no Pontiac (com cheiro de poeira), lá em São Torquato. E o cheiro, por incrível que pareça, era de... coentro. Na volta passávamos pelo mercado da Vila Rubim, cheio de cheiros os mais variados: de peixe, de tomates esmagados, de cebolas e batatas, que eu adorava escolher nos grandes sacos de cânhamo ao pé das barracas. Quase todas vendiam flores, eu gostava dos sorrisos-de-Maria, embora não tivessem perfume algum. Ali, sim, me divertia em identificar odores, em descobrir mexericas, as cascas se espalhavam pelo chão, mas ninguém ligava, nem escorregava. Já as cascas das bananas eram conscienciosamente atiradas nos latões de lixo, de cheiro estranho pelas muitas misturas.

O mercado da Vila Rubim era uma festa em nossas infância. E minha mãe, "freguesa" antiga de algumas bancas, onde todos se conheciam, trocavam novidades: "A melancia dali está uma maravilha. É muito mais barata!"...

O tempo de mercado passou rápido. Logo, meu pai começou a comprar carne em um açougue mais perto e mais sofisticado, com cheiro de linguiça. E a feira de rua foi inaugurada no meu bairro. Tinha cheiro de beiju. Aquele beiju de São Mateus, que a gente comprava no mercado e era uma delícia. O mercado de São Mateus não mudou de cheiros: farinha de tapioca e de coco, beiju de amendoim, peneiras, cordas, sacos de juta. O cheiro da Bahia, de São Salvador, como se os mateenses, irmãos que adotei por amor, baianos fossem, por aproximação...

Da feira da rua eu não gostava - nem gosto até hoje. Preferia "Seu" Totonho Verdureiro, equilibrando nos ombros o grosso cajado que segurava suas duas cestas redondas, uma de cada lado, derramando verduras fresquinhas, com aquele aroma gostoso de antigamente, quando não havia agrotóxicos e as alfaces vinham verdinhas, lavadas, dava pra saborear ali mesmo, no portão, era só querer. As cenouras tinham cheiro de lápis de cor, as beterrabas, cheiro de milho verde, que tinha cheiro de beterraba..

O mercado perdeu o charme - e seus cheiros. A feira de rua caiu de moda. Agora é a vez dos "quilões", que nem cheiro tem. As pessoas pulam apressadas de banca em banca, escolhem ao acaso, tomates, limões, cebolas, batatas e vagens, pepinos e berinjelas, mandam partir a abóbora, ver se está macio o aipim. Os kiwis, os figos e morangos, sem perfume, ganharam mais status que as mangas sumarentas, os abacaxis, os cajus. Peras e maçãs, uvas de todas as espécies e preços, ameixas e pêssegos são frutas nobres, como o melão. Sem cheiro. Como o moderno mamão. Macho. Que mamão-fêmea nunca mais vi. Desde os tempos cheirosos do velho mercado da Vila Rubim."

Crônica de: Marzia Figueira
Publicada no livro: Escritos de Vitória - Mercados e Feiras


Nove anos já. Saudades... =(

sábado, 10 de outubro de 2009

Outubro

(eu tenho que parar de me surpreender com essas coisas... daqui a pouco vai ser dezembro de 2012 e eu vou falar a mesma coisa...)
bom... érrrrr... hoje é sábado... são 09:25 da manhã... está nublado... o que é uma merda... essa cidade é um cu... faz sol a semana inteira, calor infernal, e no final de semana que tem que fazer sol, chove... 2ª feira vai abrir o maior solão e eu vou estar com mais vontade ainda de me mudar para a sibéria.

eu juro

que não colei :/

Resultado: 14 pontos

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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Cara de um maluco para um louco.

Era meia-noite, o sol brilhava entre as trevas de um dia claro e bonito. Um homem vestido sem roupas com as mãos nos bolsos, estava sentado em pé, numa pedra de pau, a beira de um rio seco, ele dizia:
- Prefiro morrer do que perder a vida!
Naquele momento, um tempo depois, um mudo disse a um surdo que estava entrigado pois um cego não parava de olhar para ele, enquanto o surdo estava ouvindo o mudo falar, um aleijado corria atrás de um carro parado. Bem longe daqui, porém muito perto, um senhor alto, moreno, careca, mas muito baixo, penteava cortando seus longos cabelos loiros. A noite, durante o sono, senti uma apetitosa falta de comer um prato sem alimentos, também vi peixes correndo na grama verde, tartarugas pulando de galho em galho, enquanto os bois nadavam num lago seco. Enquanto outros suicidavam-se para viver, veio então um sujeito comendo guardanapo e limpando a boca com um pedaço de bife, assim ele começou a declarar uma poesia, porém calado dizia:
- Mais vale um vivo morto, que um morto vivo.
Ao ver uma velha, de 15 anos, sentada num banco de pedra feito de madeira que dizia com o nariz:
- A terra é uma bola quadrada que gira parada em torno do sol.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

i don't know.

que
saco.
pff.
meus braços
e pernas
estão doendo muito,
devido
ao esforço físico
que fiz ontem.
eu
não sei
porque estou
escrevendo assim.
mas
eu quero.
é
uma tarde
bonita,
sem sol
mas sem nuvem,
(afinal, já são 17:15 e é a essa hora que aqui começa a escurecer).
me lembra das tardes dos anos 90,
quando eu faltava aula
e ia para a casa da minha avó
e ficava lá lendo gibis da turma da mônica, ou vendo o tempo passar.
e o cheiro do café com leite da bisa.
e a espera do meu avô
chegar pela porta.
e da minha mãe me ligando dizendo que
ia vim me buscar.
e do abraço melado do meu irmão
todo sujo e suado de tanto brincar.
bah...
e como
aquele tempo
era bom.
e como
eu quero
voltar.
quero assistir denovo castelo ratimbum,
no apartamento ponta da praia
dos meus avós,
naquela tv do começo dos anos 80.

domingo, 5 de abril de 2009

não sei.

lets see...

boby got much better.
i got a way to record funny games d.e.
i fell in love with boby's doctor.
i stoped listening to radiohead over and over again. so i stoped wanting to cry over and over again.
i watched arizona dream this morning, it just finished actually, so my stomach is still aching and i still have that thing in your throat when you want to cry.
yesterday i, literally, danced in the rain.
and today i'm just bored and bitter.

quinta-feira, 19 de março de 2009

O__o

http://www.youtube.com/watch?v=vhTUlNfg-_Q


She's what now, 35?

:/